Discursos Numerados: Livros dos uns, dois e três
ฉบับแปลโปรตุเกส · Sutta Piṭaka — The Basket of Discourses · Volume 20 · 180 pages
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- Page 1–3 Rūpādivagga: o que domina a mente do homem e da mulher O Buda diz aos monges que não há outra forma, som, cheiro, sabor ou tato que domine a mente do homem tanto quanto a forma, o som, o cheiro, o sabor e o tato da mulher, e que o mesmo vale inversamente para a mente da mulher. Mostra o poder dos cinco cordões dos prazeres sensuais sobre a mente das pessoas comuns de ambos os sexos. É a abertura do Aṅguttara Nikāya, Ekanipāta, que usa um padrão repetido percorrendo cada base dos sentidos.
- Page 3–5 Nīvaraṇappahānavagga – O abandono dos obstáculos O Buda ensina em pares o que faz surgir ou crescer os cinco obstáculos (nīvaraṇa) — desejo sensual, má vontade, preguiça e torpor, agitação e remorso, e dúvida — e o que faz com que não surjam ou sejam abandonados. Por exemplo, a atenção imprópria ao sinal do atraente faz surgir o desejo sensual, enquanto o cultivo da libertação da mente pela bondade amorosa (mettā) é causa do abandono da má vontade. É um princípio básico para o praticante de meditação examinar e lidar com esses cinco obstáculos
- Page 5–7 Cittavagga: a mente não desenvolvida e a mente desenvolvida O Buda diz que não há nada que, não desenvolvido, conduza a tão grande dano, ou que, desenvolvido, conduza a tão grande benefício, quanto a mente. Ele repete isso sob vários aspectos — não manifesta ou manifesta, não cultivada ou muito cultivada — mostrando que a mente não treinada traz sofrimento e a mente bem treinada traz felicidade. Enfatiza a importância do desenvolvimento da mente como fundamento de toda a prática do Dhamma.
- Page 18 Kalyāṇamittādivagga – O bom amigo e outros Continuando o capítulo anterior, trata do bom amigo como causa do crescimento dos estados salutares, do cultivo e não cultivo de estados salutares e prejudiciais, e da atenção sábia ou não sábia como causa de os fatores do despertar surgirem e se desenvolverem plenamente ou não. Em seguida o Buda compara: a perda de parentes, de riqueza e de fama é coisa pequena, mas a perda da sabedoria é a pior de todas. Ele ensina os monges a se empenharem sobretudo no crescimento da sabedoria.
- Page 18–21 Pamādādivagga: causas de grande benefício e grande dano Este capítulo retoma o mesmo conjunto de qualidades — negligência, preguiça, excesso de desejos, falta de contentamento, atenção imprópria, maus amigos — e suas opostas, e as reapresenta num novo enquadramento: cada uma é, por si só, a causa que conduz diretamente a grande dano ou a grande benefício, já não ligada especificamente ao surgimento ou declínio de estados salutares e prejudiciais. Reforça a importância dessas virtudes básicas numa perspectiva mais ampla.
- Page 21–23 Fatores internos e externos de benefício e dano O Buda divide o mesmo conjunto de qualidades, como negligência ou diligência, preguiça ou esforço, em dois componentes: o fator interno (ajjhattikaṃ aṅgaṃ), isto é, as qualidades mentais da própria pessoa, e o fator externo (bāhiraṃ aṅgaṃ), isto é, ter bons ou maus amigos e o cultivo de estados. Cada fator é, por si só, causa de grande dano ou grande benefício. Mostra que tanto os fatores internos da pessoa quanto o ambiente social influenciam o crescimento ou o declínio do Dhamma.
- Page 26–28 Monges que destroem ou preservam o verdadeiro Dhamma O Buda censura os monges que apresentam o que não é Dhamma como Dhamma e o Dhamma como não Dhamma, o que não é disciplina como disciplina, e que distorcem o que o Tathāgata disse ou não disse, praticou ou não praticou, estabeleceu ou não estabeleceu, pois isso gera muito demérito e destrói o verdadeiro Dhamma. Ao contrário, os monges que apresentam corretamente, segundo a verdade, geram muito mérito e ajudam a preservar o verdadeiro Dhamma. No final, estende-se ao julgamento errado ou correto da
- Page 28–30 Ekapuggala-pāḷi: a pessoa única no mundo Novo grupo de ensinamentos sobre a única pessoa que, surgindo no mundo, surge para o bem-estar e a felicidade de muitos: o Tathāgata, arahant, Perfeitamente Iluminado. Mostra que seu surgimento é raríssimo no mundo; ele é um ser humano extraordinário, sem igual; seu parinibbāna entristece muitos; e seu surgimento traz grande luz e a realização dos diversos caminhos e frutos. Encerra louvando Sāriputta como aquele que faz girar corretamente, de modo excelente, a roda do Dhamma posta em movimento
- Page 31–34 Etadagga-pāḷi: os discípulos proeminentes O Buda declara e louva cada discípulo como o primeiro em determinada qualidade. Divide-se em categorias: monges, como Aññā Koṇḍañña, o primeiro entre os de longa experiência; Sāriputta, em grande sabedoria; Moggallāna, em poderes psíquicos; Ānanda, em erudição e como assistente; monjas, como Mahāpajāpatī Gotamī, Khemā e Uppalavaṇṇā; discípulos leigos, como o comerciante Anāthapiṇḍika; e discípulas leigas, como Visākhā. É um quadro de honra das quatro assembleias budistas que mostra a diversidade
- Page 34–36 Aṭṭhāna-pāḷi, parte 1: o impossível para quem tem visão correta O Buda expõe uma lei natural: é impossível que uma pessoa perfeita em visão, isto é, do sotāpanna para cima, veja alguma formação como permanente, feliz ou como um eu, enquanto a pessoa comum ainda pode ter essa visão errada. Também é impossível que quem é perfeito em visão mate a mãe, o pai ou um arahant, fira o Tathāgata até sangrar, cause cisma na Saṅgha ou reconheça outro mestre; e é impossível que dois arahants Perfeitamente Iluminados surjam ao mesmo tempo num mesmo sistema de mundos.
- Page 36–39 Aṭṭhāna-pāḷi, parte 2: a mulher e as posições supremas, e a lei do kamma Continuando a parte anterior, mostra que também é impossível que dois monarcas universais (cakkavatti) surjam ao mesmo tempo num mesmo sistema de mundos, e que é impossível que uma mulher seja um arahant Perfeitamente Iluminado, monarca universal, Sakka, Māra ou Brahmā — posições que, segundo o texto, pertencem apenas aos homens. Em seguida expõe a lei do kamma: é impossível que a má conduta do corpo, da fala ou da mente dê frutos desejáveis, e impossível que as três boas condutas deem frutos in
- Page 39–40 Aparaekadhammādi-pāḷi: as dez recordações como causa do nibbāna Início de um novo grupo de “uma coisa”. O Buda mostra que há uma coisa que, desenvolvida e cultivada, conduz exclusivamente ao desencanto, ao desapego, à cessação, à paz, ao conhecimento direto, ao despertar e ao nibbāna: o cultivo das dez recordações (anussati) — do Buda, do Dhamma, da Saṅgha, da virtude, da generosidade, das divindades, a atenção plena na respiração, a atenção plena à morte, a atenção plena ao corpo e a recordação da paz. Apresenta os objetos de meditação do grupo das recordaç
- Page 40–43 Visão errada e visão correta: a imagem das sementes amargas e doces O Buda ensina que não há nada que, por si só, faça crescer tanto os estados prejudiciais ou declinar os estados salutares quanto a visão errada, e nada que tenha o efeito oposto tanto quanto a visão correta; elas levam os seres, respectivamente, aos estados de privação ou a um bom destino. Em seguida compara: para a pessoa de visão errada, as ações do corpo, da fala e da mente, a intenção e todas as aspirações levam ao indesejável, como a semente de nim ou de cabaça amarga que, mesmo plantada em
- Page 46 Quem desvia ou guia as pessoas, e o Dhamma bem ou mal exposto O Buda mostra que uma única pessoa de visão errada pode desviar muitos do verdadeiro Dhamma para o falso, ao contrário da pessoa de visão correta, que os reconduz ao verdadeiro Dhamma, e diz que não há falta maior que a visão errada. Dá como exemplo Makkhali Gosāla, um homem vazio que nasceu para a ruína de muitos seres, como uma rede armada na foz de um rio que prejudica os peixes. Depois mostra que, num Dhamma e disciplina mal expostos, quem incentiva e quem é incentivado geram demérito, quem
- Page 46–48 Imagens da raridade das oportunidades preciosas O Buda compara: assim como os lugares agradáveis, como jardins e bosques em Jambudīpa, são poucos, e os terrenos acidentados e barrancos são muitos, também os seres nascidos em terra são menos que os aquáticos; os que nascem humanos são menos que os não humanos; os que nascem nas regiões centrais são menos que os das regiões de fronteira; os sábios são menos que os tolos; e os que veem o Tathāgata, ouvem o Dhamma, o retêm, examinam o sentido, praticam de acordo com o Dhamma, sentem urgência espi
- Page 48–50 A raridade do renascimento em bons destinos comparada aos maus Usando a mesma imagem do capítulo anterior — os lugares agradáveis são menos que os terrenos acidentados —, o Buda mostra que os seres que morrem como humanos e renascem de novo como humanos são poucos, comparados aos que renascem no inferno, no reino animal ou no reino dos espíritos famintos, que são muitos. O mesmo vale para os que morrem como divindades, no inferno, no reino animal e no reino dos espíritos famintos, percorrendo todos os pares do ciclo de nascimento e morte. Enfatiza que renas
- Page 50–52 Os estados inspiradores e o cultivo do jhāna mesmo por um instante Início do grupo Pasādakaradhammādi-pāḷi: grandes ganhos são viver na floresta, fazer a ronda de esmolas, usar vestes de trapos, ter apenas os três mantos, ser erudito, ser pregador do Dhamma e conhecedor da disciplina, ter poucos desejos e pouca doença. Em seguida o Buda ensina, no mesmo padrão repetido, que se um monge desenvolve o primeiro ao quarto jhāna, as quatro moradas divinas, os quatro fundamentos da atenção plena, os quatro esforços corretos, as quatro bases do poder, as cinco faculdad
- Page 52–55 Lista de objetos de meditação e a atenção ao corpo como o oceano Esta parte enumera muitos objetos de meditação no mesmo padrão repetido — cultivar mesmo que por um estalar de dedos —: a contemplação de formas internas e externas de vários modos, os quatro jhānas imateriais, os dez kasiṇas, a percepção do repulsivo, a percepção da morte, a percepção da repugnância do alimento, a percepção da impermanência, do sofrimento e do não-eu, e o cultivo das dez recordações junto com os jhānas e as moradas divinas. Encerra com a imagem de que, para quem desenvolveu e c
- Page 56–60 Os benefícios da atenção ao corpo e o Amatavagga (fim do Ekanipāta) Continuando a parte anterior, expõe os benefícios do cultivo da atenção plena ao corpo (kāyagatāsati): conduz à urgência espiritual, à sabedoria, à libertação e aos frutos dos quatro caminhos, bem como a diversas qualidades de sabedoria. Segue-se uma série de breves suttas em padrão repetido: quem não cultiva a atenção plena ao corpo não desfruta o imortal, sob vários aspectos (não desfruta, perde, falha, é negligente, esquece, não pratica, não desenvolve, não conhece diretamente, não compreende
- Page 61–63 Vajja-sutta: a falta visível nesta vida e a falta na vida futura Início do Dukanipāta (o livro dos dois). O Buda expõe duas faltas: diṭṭhadhammika-vajja (a falta cujo resultado se vê nesta vida) e samparāyika-vajja (a falta na vida futura). Descreve em detalhes crus as punições aplicadas pelo rei aos ladrões, para mostrar que as pessoas deixam de fazer o mal por medo da punição legal; já a falta na vida futura é o resultado das más ações que conduz aos estados de privação. Ele ensina os monges a temer ambas as faltas para se livrarem de toda falta.
- Page 63 Padhāna-sutta: os esforços difíceis O Buda expõe dois esforços difíceis de realizar no mundo: o esforço do chefe de família para obter os quatro requisitos de subsistência, e o esforço de quem deixou o lar para abandonar todas as aquisições (upadhi, as impurezas e aquilo a que se apega). Ele aponta que o esforço para abandonar todas as aquisições é o mais excelente.
- Page 63–64 Estados que atormentam e estados que não atormentam Apresenta dois estados opostos: os que causam tormento depois (tapanīya), isto é, ter praticado má conduta pelo corpo, pela fala e pela mente e não ter praticado a boa conduta; e os que não causam tormento (atapanīya), que são o contrário. Ensina que as próprias ações no presente são a causa do tormento ou da tranquilidade posteriores.
- Page 64–65 Appaṭivāna-sutta: o esforço que não recua O Buda conta duas coisas que descobriu por si mesmo: não se contentar com os estados salutares e não recuar no esforço. Cita a conhecida resolução: ainda que a carne e o sangue sequem e restem apenas pele, tendões e ossos, não abandonará o esforço até alcançar o que deve ser alcançado pela força humana — o que foi a origem de seu despertar — e ensina os monges a estabelecer o mesmo esforço.
- Page 65 Contemplar a gratificação e contemplar o desencanto Apresenta duas coisas: contemplar a gratificação nos estados que prendem (saṃyojanīya-dhamma), o que impede de abandonar a paixão, a aversão e a ilusão e de se libertar do sofrimento; e contemplar o desencanto por esses estados, o que permite abandonar as impurezas e libertar-se de todo sofrimento.
- Page 65–66 Estados escuros, estados claros e a vergonha e o temor moral que protegem o mundo Apresenta os estados escuros (kaṇha-dhamma), isto é, a falta de vergonha e de temor diante do mal (ahirika, anottappa), e os estados claros (sukka-dhamma), isto é, a vergonha moral e o temor moral (hiri e ottappa). Em seguida o Buda aponta que são precisamente a vergonha e o temor moral que protegem o mundo, impedindo que as relações sociais — como mãe, tia, esposa do mestre — se confundam como entre os animais.
- Page 66 Vassūpanāyikā: dois modos de entrar no retiro das chuvas Apresenta dois modos de iniciar o retiro das chuvas (vassa): purimikā (a entrada anterior) e pacchimikā (a entrada posterior). Encerra o Kammakaraṇavagga, o primeiro capítulo do Dukanipāta.
- Page 66–69 Bala-sutta: o poder da reflexão e o poder do desenvolvimento O Buda apresenta dois poderes, repetidos três vezes em contextos diferentes: o poder da reflexão (paṭisaṅkhāna-bala, refletir sobre o perigo da má conduta e abandoná-la) e o poder do desenvolvimento (bhāvanā-bala), explicado tanto em termos dos sete fatores do despertar quanto dos quatro jhānas, como o poder do discípulo em treinamento (sekha) para abandonar a paixão, a aversão e a ilusão. Encerra mostrando que o Tathāgata ensina o Dhamma de dois modos: resumido e detalhado.
- Page 96 Parisavagga: dez pares de características das assembleias O Buda apresenta as características das assembleias (comunidades de monges) em dez pares opostos consecutivos: assembleia rasa / profunda, dividida / harmoniosa, sem os melhores / com os melhores, não nobre / nobre na compreensão das nobres verdades, vil / pura, treinada na ostentação / treinada no questionamento, voltada às coisas materiais / voltada ao verdadeiro Dhamma, desigual / igual nos atos legítimos, e ilegítima / legítima. Em cada par ele aponta que a segunda é a mais excelente, servin
- Page 96–98 Pessoas que surgem para o bem do mundo e os que não temem o raio O Buda mostra que o Tathāgata, arahant, Perfeitamente Iluminado, e o monarca universal são as duas pessoas que surgem para o bem-estar e a felicidade de muitos, seres extraordinários, cuja morte entristece muitos e que são dignos de uma stūpa. Compara o Tathāgata ao Paccekabuddha, ambos sendo Budas, e compara o monge que extinguiu as impurezas ao elefante, ao cavalo e ao leão de raça, que não se abalam mesmo quando cai um raio.
- Page 98 O kimpurisa não mente, e a mulher não se sacia de duas coisas O Buda mostra que o kimpurisa (um tipo de ser não humano) não fala mentiras porque vê dois perigos: não quer ele próprio mentir e não quer acusar os outros com o que não é verdade. E mostra que a mulher, ao morrer, ainda não se saciou de duas coisas: a relação sexual e dar à luz.
- Page 98–100 Convivência não pacífica e convivência pacífica O Buda descreve a convivência não pacífica entre monges anciãos, intermediários e novatos: cada lado pensa negativamente do outro, não quer ser admoestado pelo outro e, se admoestado, se irrita; e a convivência pacífica: cada lado abre o coração e aceita de bom grado a admoestação feita com boa intenção, sem se irritar. É uma orientação de conduta para a comunidade de monges de diferentes idades.
- Page 100 Disputas: podem ser resolvidas ou não? O Buda mostra que, numa disputa em que ambos os lados se contradizem, apegados às próprias opiniões, com ressentimento e desagrado mútuo e sem paz interior, a questão se prolongará e se agravará; mas se houver paz interior, ela não se prolongará. Encerra o Puggalavagga, primeiro capítulo do Dutiyapaṇṇāsaka.
- Page 100–102 Sukhavagga: mais de dez pares de felicidade O Buda apresenta a felicidade em mais de dez pares opostos consecutivos, como felicidade do chefe de família / felicidade da vida monástica, felicidade sensual / felicidade da renúncia (nekkhamma), felicidade com aquisições / sem aquisições, felicidade com impurezas / sem impurezas, felicidade corporal / mental, felicidade com êxtase / sem êxtase, e outros. Em todos os pares aponta que a felicidade livre de impurezas ou voltada à saída dos prazeres sensuais é sempre mais excelente que a felicida
- Page 102–104 Sanimittavagga: a origem dos estados prejudiciais Série de breves suttas em padrão repetido mostrando que os estados prejudiciais surgem por terem um sinal, uma causa e condição, formações, sensação, percepção, consciência ou um objeto condicionado, e não surgem do nada; abandonando essas coisas, extinguem-se os estados prejudiciais. Enfatiza o princípio de que os estados prejudiciais sempre têm causas e condições.
- Page 104–105 Dhammavagga: lista de pares de estados É uma lista de breves pares de estados, quase sem explicação adicional, como libertação da mente – libertação pela sabedoria, esforço – não dispersão, nome – forma, conhecimento verdadeiro – libertação, visão da existência – visão da não existência, falta de vergonha – falta de temor moral, vergonha – temor moral, ser difícil de admoestar e ter maus amigos – ser fácil de admoestar e ter bons amigos, habilidade nos elementos – habilidade na atenção, habilidade nas ofensas – habilidade em sair das
- Page 105–108 Bālavagga: o tolo e o sábio na percepção do certo e do errado (fim do Dutiyapaṇṇāsaka) O Buda apresenta o tolo e o sábio sob vários aspectos da percepção do certo e do errado, como carregar um fardo que ainda não chegou / não carregar o fardo que já chegou, considerar o impróprio como próprio / o próprio como impróprio, considerar a não ofensa como ofensa / a ofensa como não ofensa, considerar o não Dhamma como Dhamma / o Dhamma como não Dhamma, considerar a não disciplina como disciplina / a disciplina como não disciplina. Depois repete o mesmo conteúdo no enquadramento de para q
- Page 108–110 Āsāvagga: esperanças difíceis de abandonar e as causas da paixão, da aversão e das visões Início do Tatiyapaṇṇāsaka (os terceiros cinquenta suttas). O Buda mostra duas esperanças difíceis de abandonar: a esperança de ganhos e a esperança de vida; as pessoas raras no mundo: quem faz o bem primeiro e quem é grato e reconhece o bem recebido, quem está satisfeito e quem satisfaz os outros; as pessoas difíceis de satisfazer: quem guarda o que recebe sem uso ou quem vai desperdiçando tudo. Mostra também as causas e condições do surgimento da paixão, da aversão, da visão errada e da visão c
- Page 116 Dānavagga: a doação material e a doação do Dhamma O Dānavagga é composto por uma série de breves suttas; cada par compara a doação material (āmisa) com a doação do Dhamma, como doação, sacrifício (yāga), generosidade (cāga), renúncia (pariccāga), riqueza, usufruto, partilha, apoio, favorecimento e compaixão. Em todos os pares o Buda conclui da mesma forma que a “doação do Dhamma” é sempre mais excelente que a doação material, pois é uma ajuda para a mente e a sabedoria, de valor mais duradouro.
- Page 116–118 Santhāravagga: a acolhida e a busca pelo Dhamma superam as mundanas O Santhāravagga segue o mesmo padrão do Dānavagga, apresentando outra série de pares que comparam o material com o Dhamma: acolhida (santhāra), cordialidade, busca (esanā, pariyesanā, pariyeṭṭhi), veneração, hospitalidade (ātitheyya), poder, prosperidade, joia, acumulação e abundância. Todos os pares terminam com a conclusão de que o que pertence ao Dhamma é sempre mais excelente que o material, reforçando que o valor do Dhamma supera o valor material em todos os aspectos da vida.
- Page 118–120 Samāpattivagga: pares de estados de progresso e declínio; fim do terceiro paṇṇāsaka Série de breves suttas que apresentam estados em pares, tanto os que devem ser desenvolvidos quanto os que devem ser abandonados: habilidade em entrar nas realizações meditativas e em sair delas; retidão e gentileza; paciência e mansidão; não guardar as portas dos sentidos e não conhecer a medida no comer (declínio) comparados a guardar as portas e conhecer a medida (progresso); o poder da reflexão e o poder do desenvolvimento; calma (samatha) e insight (vipassanā); a falha na virtude e na visão
- Page 122–123 Suttas fora dos paṇṇāsakas: pares de impurezas e seus resultados em bons e maus destinos Grupo de suttas não incluídos nos paṇṇāsakas, em forma abreviada (peyyāla), apresentando diversos pares de impurezas num padrão repetido, como raiva – rancor, desprezo – insolência, inveja – avareza, fingimento – astúcia, falta de vergonha – falta de temor moral, e os pares opostos salutares. Mostra que quem tem essas impurezas vive em sofrimento, decai dos estados do discípulo em treinamento e, ao morrer, renasce no inferno; já quem está livre delas vive feliz, não decai e, ao morrer, renasce n
- Page 123–124 As duas razões para estabelecer as regras de treinamento e a disciplina O sutta explica as razões, dadas aos pares, pelas quais o Tathāgata estabeleceu as regras de treinamento e diversos procedimentos para os discípulos: para o bem-estar da Saṅgha e para conter as pessoas sem vergonha; para prevenir as impurezas e os perigos tanto no presente quanto no futuro; por compaixão pelos leigos e para cortar o lado dos que têm más intenções; e para a estabilidade do verdadeiro Dhamma. Usa o mesmo princípio para explicar as razões do Pātimokkha e de diversos atos da Saṅgha
- Page 127–128 Início do Tikanipāta, Bālavagga: todos os perigos vêm dos tolos Início do Tikanipāta (o livro dos três) e do Bālavagga, capítulo 1. O Buda diz, em Jetavana, que todos os perigos, calamidades e infortúnios que surgem vêm dos tolos, e não dos sábios. Compara com o fogo que começa numa casa de capim ou de junco e pode se espalhar até queimar uma casa de telhado pontiagudo, bem rebocada, com portas e janelas bem fechadas: assim também o perigo vindo dos tolos se espalha e causa grande dano. Por isso ensina a evitar as três qualidades do tolo e a adotar as três q
- Page 128–129 Características do tolo e do sábio no corpo, na fala e na mente Dois breves suttas explicam que o tolo e o sábio se distinguem pelas ações: o tolo tem má conduta no corpo, na fala e na mente, enquanto o sábio tem boa conduta no corpo, na fala e na mente. Em seguida apresentam três marcas e atividades do tolo — pensar mal, falar mal e agir mal —, pelas quais os sábios reconhecem que se trata de um tolo, uma pessoa não boa; ao contrário do sábio, que pensa bem, fala bem e age bem, e que os sábios reconhecem como uma pessoa boa.
- Page 130–131 O tolo não vê sua falta; o sábio pergunta e responde com sabedoria Série de breves suttas que mostram diversas características que distinguem o tolo do sábio: o tolo não vê a falta como falta, quando a vê não a corrige segundo o Dhamma e não aceita segundo o Dhamma o pedido de desculpas dos outros; o sábio faz o contrário em todos os pontos. Fala também do tolo que faz e responde perguntas sem sabedoria e não se alegra quando outros respondem bem, ao contrário do sábio, que pergunta e responde com sabedoria e se alegra com uma boa resposta; e ainda das ações do
- Page 131–133 As ações nocivas do tolo e as três manchas que levam ao inferno ou ao céu; fim do Bālavagga O sutta mostra que o tolo tem ações do corpo, da fala e da mente que causam aflição (sabyābajjha), enquanto o sábio tem ações que não causam aflição (abyābajjha). Isso leva ao último sutta do capítulo, sobre três manchas: a falta de virtude, a inveja e a avareza. Se essas manchas não forem abandonadas, ao morrer renasce-se no inferno, como se fosse levado e deixado ali; mas, se forem abandonadas, ao morrer renasce-se no céu. Encerra o Bālavagga, capítulo 1, com um verso de resumo do conteúdo (ud
- Page 133–134 Início do Rathakāravagga: o monge conhecido que leva as pessoas à ruína ou ao benefício Início do Rathakāravagga, capítulo 2. Mostra que o monge bem conhecido (ñātaka-bhikkhu), se incentiva as pessoas a ações do corpo, da fala e a opiniões que não estão de acordo com o Dhamma, age para o prejuízo e a infelicidade de muitos, tanto divindades quanto humanos; ao contrário do monge que incentiva as pessoas no caminho correto, que age para o bem-estar e a felicidade de muitos. Reflete a responsabilidade das figuras religiosas influentes para com a sociedade.
- Page 134–135 O que o rei e o monge devem lembrar por toda a vida O sutta compara as três coisas que o rei guerreiro consagrado deve lembrar por toda a vida — o lugar onde nasceu, o lugar onde foi consagrado e o lugar onde venceu a batalha — com as três coisas que o monge também deve lembrar por toda a vida: o lugar onde deixou o lar, o lugar onde compreendeu as quatro nobres verdades como realmente são e o lugar onde alcançou a libertação das impurezas pela sabedoria superior. Mostra que os momentos decisivos da vida monástica se comparam aos grandes aconteci
- Page 135–137 Três tipos de pessoas quanto à esperança: o sem esperança, o esperançoso e o que já não espera por ter realizado O Buda apresenta três tipos de pessoas no mundo quanto à esperança, dando o exemplo de quem nasce em família humilde e não tem como esperar tornar-se rei (nirāsa), do filho do rei ainda não consagrado, que tem esperança (āsaṃsa), e do rei já consagrado, que não tem mais esperança porque já a realizou (vigatāsa). Em seguida compara com os monges: o monge sem virtude, que não tem como esperar a libertação; o monge virtuoso, que ainda espera a libertação; e o arahant que extinguiu as impurezas e, p
- Page 137–139 O monarca universal justo e o Tathāgata que faz girar a roda do Dhamma O Buda diz que até o monarca universal justo depende do Dhamma como seu próprio “rei”: respeita o Dhamma, toma o Dhamma como estandarte e soberano, e assim organiza, segundo o Dhamma, a guarda e a proteção de sua corte e de todas as classes de súditos, de modo que sua roda avança sem que ninguém possa detê-la. O Buda se compara a isso: apoiando-se no Dhamma e respeitando o Dhamma, faz girar a insuperável roda do Dhamma no âmbito das ações do corpo, da fala e da mente, que ninguém no mundo pode d
- Page 139–142 A história do rei Pacetana e do fabricante de rodas: a roda apressada e a roda bem-feita História comparativa sobre o fabricante de rodas do rei Pacetana, que levou seis meses para fazer uma roda com esmero, até ficar sem defeitos, mas apenas seis dias para fazer a outra às pressas. Quando as duas rodas foram roladas, a feita às pressas cambaleou e caiu, enquanto a bem-feita rodou reta, como se estivesse presa ao eixo. O Buda revela que ele mesmo foi aquele fabricante de rodas numa vida passada, hábil com as curvas da madeira, e que agora é hábil com as tortuosidades e defeitos do c
- Page 144 A prática infalível para extinguir as impurezas: guardar os sentidos, moderação no comer, vigília O sutta apresenta três coisas que fazem o monge seguir a prática infalível e são o começo correto para a extinção das impurezas: a contenção das seis faculdades dos sentidos, sem se prender aos sinais ou detalhes ao perceber os objetos; a moderação no comer, refletindo que se come para sustentar o corpo e a vida santa, não por diversão ou embelezamento; e o empenho na vigília, isto é, purificar a mente dos estados obstrutivos pela meditação andando e sentada durante o dia e na primeira e última
- Page 144–145 Ações que afligem a si e aos outros, e a vergonha de praticar a vida santa visando o céu Breve sutta que mostra que a má conduta do corpo, da fala e da mente causa aflição a si mesmo, aos outros e a ambos, ao contrário da boa conduta do corpo etc., que não aflige ninguém. Em seguida o Buda diz que, se ascetas de outras escolas perguntarem se ele pratica a vida santa para renascer num mundo divino, os monges devem sentir incômodo, vergonha e repulsa, pois até a riqueza celestial das divindades é motivo de incômodo se for o objetivo da vida santa; e muito mais deve-se sentir incômodo
- Page 148 A imagem do comerciante: os fatores de crescimento na riqueza e nos estados salutares; fim do Rathakāravagga O Buda compara: o comerciante que não se dedica ao comércio de manhã, ao meio-dia e à tarde não consegue criar riqueza nem fazer crescer a que tem; assim também o monge que não se aplica ao sinal da concentração nesses três períodos não alcança os estados salutares. Em seguida apresenta três qualidades que fazem o comerciante prosperar rapidamente: ter bom olho (conhecer o preço das mercadorias), ser hábil (saber comprar e vender) e ter bons apoios (a confiança de homens ricos); e as compara ao
- Page 148–151 Início do Puggalavagga: testemunha corporal, alcançado pela visão, liberto pela fé — quem é superior? Sāriputta, Saviṭṭha e Mahākoṭṭhita conversam sobre qual das três pessoas é superior: a testemunha corporal (kāyasakkhī), o alcançado pela visão (diṭṭhippatta) ou o liberto pela fé (saddhāvimutta). Cada um considera superior a pessoa correspondente à faculdade predominante em si (fé, concentração e sabedoria, respectivamente). Não chegando a um acordo, levam a questão ao Buda, que responde ser difícil decidir categoricamente quem é superior, pois cada tipo de pessoa pode estar em níveis diferente
- Page 151–153 A imagem dos três tipos de doentes: a razão de permitir remédios e de ensinar o Dhamma O Buda apresenta três tipos de doentes no mundo: os que não se recuperam, recebam ou não alimento, remédio e cuidador adequados; os que se recuperam, recebam ou não essas coisas; e os que só se recuperam se receberem alimento, remédio e cuidador adequados — razão pela qual ele permitiu na disciplina o alimento para doentes, o remédio para doentes e o cuidador de doentes. Em seguida compara com três tipos de pessoas que ouvem o Dhamma, das quais apenas o tipo intermediário alcança a retidão nos e
- Page 154 Três tipos de pessoas segundo as ações intencionais acumuladas: rumo a mundos de sofrimento, de felicidade ou mistos O sutta apresenta três tipos de pessoas segundo as ações do corpo, da fala e da mente que formaram como hábito. Quem forma ações que causam aflição (sabyābajjha) chega a um mundo de sofrimento exclusivo, como os seres do inferno; quem forma ações que não causam aflição (abyābajjha) chega a um mundo de felicidade exclusiva, como as divindades Subhakiṇhā; e quem forma os dois tipos misturados chega a um mundo de felicidade e sofrimento mesclados, como os humanos, algumas divindades e alguns seres
- Page 155 Os três tipos de pessoas de maior ajuda O sutta apresenta três tipos de pessoas de grande ajuda para os outros: aquela graças à qual alguém toma refúgio no Buda, no Dhamma e na Saṅgha; aquela graças à qual alguém compreende as quatro nobres verdades como realmente são; e aquela graças à qual alguém alcança a libertação das impurezas pela sabedoria superior. O último tipo é o de maior ajuda, não há ninguém de maior ajuda que ele, e nenhuma retribuição é suficiente, nem por reverências, nem por se levantar para recebê-lo, nem pela ofert
- Page 155–157 A mente como uma ferida, um relâmpago e um diamante O sutta compara três tipos de pessoas pelas características da mente. A pessoa irascível e facilmente irritável tem a mente como uma ferida purulenta que, ao mero contato com um galho ou uma pedra, logo solta pus. Quem compreende as quatro nobres verdades como realmente são tem a mente como um relâmpago, que por um instante permite ver as formas na escuridão. Já o arahant que extinguiu as impurezas tem a mente como um diamante, que nada no mundo pode destruir ou perfurar. É uma imagem que mostra
- Page 157–158 Com quem conviver e com quem não conviver, segundo a virtude, a concentração e a sabedoria O sutta apresenta três tipos de pessoas quanto à convivência: quem é inferior a si em virtude, concentração e sabedoria não deve ser frequentado, exceto por afeto e compaixão; quem é igual deve ser frequentado, pois se poderá conversar harmoniosamente sobre virtude, concentração e sabedoria; e quem é superior deve ser frequentado com respeito, para completar o que ainda falta em si. Encerra com um verso: quem convive com os inferiores decai, quem convive com os iguais não decai, e quem se aproxi
- Page 158–161 Quem se deve evitar com repulsa, com quem ficar indiferente e com quem conviver O sutta apresenta três tipos de pessoas a serem tratadas de modos diferentes. A pessoa sem virtude deve ser evitada, sem convivência alguma, como uma cobra suja de excremento que, mesmo sem morder, suja e deixa mau cheiro; e a má reputação de quem convive com ela também se espalha. A pessoa irascível e facilmente irritável deve ser tratada com indiferença, sem convivência, como uma ferida purulenta, como a madeira de ébano que estala alto quando queimada ou como uma fossa que, quanto mais se mex
- Page 161–162 Quem fala como excremento, como flores e como mel O sutta compara três tipos de pessoas segundo o modo de falar. Quem fala como excremento é a testemunha que, interrogada, mente deliberadamente em benefício próprio, de outros ou por um pequeno ganho material. Quem fala como flores é a testemunha que diz a verdade conforme o que sabe e viu, sem mentir deliberadamente. Quem fala como mel é quem abandona as palavras ásperas e só diz palavras gentis, agradáveis, que alegram o coração e são queridas por muitos. Mostra o padrão de fala verdadeira e a
- Page 167 A pessoa de sabedoria ampla (fim do Puggalavagga) Parte final de um sutta que começa antes deste volume. Compara três tipos de pessoas que vão regularmente ouvir o Dhamma dos monges: a de sabedoria virada para baixo (não retém nada), a de sabedoria como um colo (retém mas esquece facilmente) e a de sabedoria ampla (ouve, compreende e realmente retém), comparando com um pote emborcado, no qual a água não permanece. Termina com um verso que resume o valor da sabedoria ampla: quem a tem pratica o Dhamma em conformidade com o Dhamma até pôr fim ao
- Page 167–168 As famílias comparadas a Brahmā Início do Devadūtavagga, capítulo 4. O Buda diz que a família em que os filhos honram a mãe e o pai em sua casa é como se tivesse Brahmā, os primeiros mestres e os dignos de oferendas dentro de casa, porque a mãe e o pai são os que cuidam, criam e mostram este mundo aos filhos. Termina com um verso ensinando que o filho sábio deve reverenciar e servir a mãe e o pai com comida, bebida, roupas, banho e massagem nos pés, pois receberá louvor neste mundo e felicidade no próximo.
- Page 168–171 A concentração livre da noção de “eu” e “meu” Ānanda pergunta ao Buda que concentração o monge deve ter para não se apegar ao corpo e aos objetos externos como “eu” e “meu”. O Buda responde que, quando o monge vê que o apaziguamento de todas as formações, a renúncia a todas as aquisições, a extinção do desejo, o nibbāna, é o que há de mais pacífico e sublime, alcança essa concentração, citando os versos do Pārāyana sobre a pergunta de Puṇṇaka. Depois Sāriputta vem perguntar sobre o mesmo tema, e o Buda responde de modo semelhante, citando o
- Page 171–173 As três origens do kamma O Buda mostra que a cobiça, a aversão e a ilusão são causas das ações prejudiciais; as ações nascidas delas dão fruto na existência em que a pessoa renasce, como boas sementes plantadas em bom campo que brotam e crescem. Já a não cobiça, a não aversão e a não ilusão são causas das ações salutares; e quando a cobiça, a aversão e a ilusão se extinguem, aquelas ações são cortadas pela raiz e não dão mais fruto, como sementes queimadas pelo fogo, que já não podem brotar. Termina com um verso ensinan
- Page 175 Hatthaka Āḷavaka-sutta – Hatthaka de Āḷavī Hatthaka, jovem de Āḷavī, encontra o Buda num bosque de simsapas no inverno e pergunta, intrigado, se ele dorme bem, pois o tempo está frio e o forro é simples. O Buda responde com uma pergunta e uma imagem: um chefe de família com uma mansão luxuosa e aquecida ainda pode dormir mal se a paixão, a aversão e a ilusão queimam sua mente; ele, porém, abandonou completamente a paixão, a aversão e a ilusão e, por isso, dorme bem mesmo num lugar simples. Termina com um verso: o brâmane que extinguiu as
- Page 175–180 Devadūta-sutta – Os mensageiros divinos O Buda apresenta os três mensageiros divinos — a velhice, a doença e a morte — que aparecem a todos os seres humanos. Quem faz más ações e, ao morrer, renasce no inferno é interrogado pelo rei Yama se viu esses mensageiros e se sentiu o chamado para fazer o bem. Quando a pessoa responde que foi negligente e não o fez, Yama aponta que essas más ações foram feitas por ela mesma e que ela mesma colherá o resultado. Em seguida o sutta descreve longamente vários tipos de punições no inferno, para adv
- Page 180–182 Os enviados dos Quatro Grandes Reis inspecionam a observância do uposatha O Buda diz que no oitavo, no décimo quarto e no décimo quinto dia de cada quinzena, os ministros e os filhos dos Quatro Grandes Reis, e os próprios Quatro Grandes Reis, revezam-se inspecionando o mundo humano para ver quantos se comportam bem com o pai e a mãe e observam o uposatha, e levam o relato às divindades Tāvatiṃsa no salão Sudhammā. Se os humanos fazem pouco bem, as divindades ficam descontentes, temendo que as hostes divinas diminuam e os asuras aumentem; mas se os humanos fazem muito
- Page 182–183 O verso de Sakka sobre o uposatha Sakka, o rei das divindades, certa vez recitou um verso ensinando às divindades Tāvatiṃsa que quem quisesse ser como ele deveria observar o uposatha nos dias especiais da quinzena. O Buda observa que esse verso foi mal dito por Sakka, pois o próprio Sakka ainda não está livre da paixão, da aversão, da ilusão, do nascimento, da velhice e da morte, e por isso não é apropriado que o diga; é o monge arahant, que extinguiu as impurezas, quem pode dizer esse verso, porque está verdadeiramente livre do
- Page 183–186 A vida delicada do Buda e as três embriaguezes O Buda conta a vida muito confortável que tinha quando era príncipe, com lagos de lótus, roupas de Kāsi e três palácios, um para cada estação. Mas, ao refletir que ele mesmo também estava sujeito a envelhecer, adoecer e morrer, como os outros que antes lhe causavam repulsa, abandonou completamente a embriaguez da juventude, da saúde e da vida (os três mada). Ele ensina ainda que a pessoa comum sem instrução, embriagada por essas coisas, pratica má conduta no corpo, na fala e na mente e acaba ind
- Page 186–190 As três supremacias e o fim do Devadūtavagga O Buda apresenta três supremacias (adhipateyya, princípios tomados como guia) para o monge que vive na floresta: a supremacia de si mesmo (ter vergonha de agir de modo indigno de quem deixou o lar para se libertar do sofrimento), a supremacia do mundo (temer que ascetas, brâmanes ou divindades com olho divino conheçam sua baixeza) e a supremacia do Dhamma (respeitar o Dhamma e a disciplina bem proclamados). As três motivam a abandonar o prejudicial e cultivar o salutar. Termina com um verso: não
- Page 190–192 Grupo sobre a fé e a doação (Cūḷavagga) Início do Cūḷavagga (capítulo menor) do segundo paṇṇāsaka. Reúne vários suttas curtos sobre a fé e a doação: o filho de boa família com fé gera muito mérito quando se reúnem a fé, o objeto de doação e um receptor digno; os sinais pelos quais se reconhece que alguém tem fé (desejar ver os virtuosos, desejar ouvir o Dhamma, estar livre de avareza); o benefício de ensinar o Dhamma aos outros; as causas pelas quais uma conversa sobre o Dhamma corre bem; e as três coisas estabelecidas pelos sábios e
- Page 192–193 As características do condicionado e do não condicionado, e a grande árvore do Himalaia O Buda mostra que o condicionado (saṅkhata) tem três características: manifesta-se o surgimento, o desaparecimento e a alteração enquanto perdura; já o nibbāna (asaṅkhata) é o contrário, não manifesta essas três características. Em seguida compara: assim como a grande árvore sāla na floresta do Himalaia cresce em galhos, folhas, casca e cerne, a família que depende de um chefe de família com fé cresce em fé, virtude e sabedoria; filhos, esposa, parentes, amigos e dependentes, todos prosperam seg
- Page 193–196 Os três campos do esforço e o grande ladrão comparado ao mau monge (fim do Cūḷavagga e do primeiro paṇṇāsaka) O Buda apresenta três campos em que se deve fazer esforço: esforçar-se para que o prejudicial ainda não surgido não surja, esforçar-se para que o salutar ainda não surgido surja e esforçar-se para suportar as sensações dolorosas do corpo que já surgiram. Em seguida compara o grande ladrão que tem três fatores — apoiar-se em terreno acidentado, em mata fechada e em força (a proteção de poderosos) — e por isso consegue saquear, com o mau monge que tem corpo, fala e mente irregulares, tem visões ex
- Page 197–199 Dois brâmanes idosos pedem conselho Início do segundo paṇṇāsaka, Brāhmaṇavagga, capítulo 1. Dois brâmanes idosos vão ver o Buda e lhe pedem um conselho para seu bem-estar e felicidade por longo tempo. Ele diz que o mundo é levado adiante (upanīyati) pela velhice, pela doença e pela morte, e ninguém pode resistir; somente a contenção do corpo, da fala e da mente será um refúgio depois da partida. No sutta seguinte, os mesmos dois brâmanes voltam a perguntar, e desta vez o Buda usa a imagem de que o mundo está em chamas com a velhic
- Page 199–203 O Dhamma visível por si mesmo e o nibbāna visível por si mesmo Reúne três suttas em que diferentes brâmanes perguntam o sentido das expressões “o Dhamma que quem o alcança vê por si mesmo” (sandiṭṭhika-dhamma) e “o nibbāna visível por si mesmo”. O Buda explica da mesma forma todas as vezes: quem tem a mente dominada pela paixão, pela aversão e pela ilusão pensa em afligir a si, aos outros e a ambos; quando abandona essas impurezas, já não pensa em afligir; isso é o Dhamma visível por si mesmo, que não depende do tempo. O último sutta do grupo (o brâmane Jāṇ
- Page 203–204 Por que a população humana diminuiu Um brâmane muito rico pergunta por que antigamente as cidades eram densamente povoadas, ao contrário de hoje, quando os humanos são menos numerosos. O Buda explica três causas: os humanos da época atual se inflamam de paixão por coisas impróprias, têm cobiça anormal e chegam a pegar armas afiadas para se matarem uns aos outros; a chuva não cai na estação certa e surge a fome; e os yakkhas soltam animais ferozes e seres não humanos que atacam os humanos. Tudo isso é resultado das próprias ações p
- Page 204–207 O andarilho Vacchagotta: a doação e a não discriminação de casta O andarilho Vacchagotta pergunta ao Buda sobre o rumor de que ele ensina que se deve doar apenas a ele e a seus discípulos. O Buda nega e diz que quem impede outros de doar cria obstáculo ao mérito do doador e ao ganho do receptor, e antes prejudica a si mesmo. Até jogar a água de lavar pratos num poço de águas servidas para os pequenos seres gera mérito; mas a doação feita aos virtuosos tem fruto maior que a feita aos que não têm virtude. Termina com um verso famoso: seja qual for a casta de na
- Page 207–212 O brâmane Tikaṇṇa: os verdadeiros três conhecimentos O brâmane Tikaṇṇa louva os brâmanes que são “tevijja” (detentores dos três conhecimentos) no sentido original: de linhagem pura e mestres nos três Vedas. O Buda mostra o sentido de tevijja no Dhamma e disciplina dos nobres, completamente diferente: o monge que desenvolve os quatro jhānas até a mente se purificar e alcança os três conhecimentos — o conhecimento da recordação das vidas passadas, o conhecimento do falecimento e renascimento dos seres segundo o kamma, e o conhecimento da extinção da
- Page 212–214 O brâmane Jāṇussoṇi: os três conhecimentos (conteúdo repetido) O brâmane Jāṇussoṇi faz a mesma pergunta que Tikaṇṇa sobre o sentido de tevijja para quem é digno de receber oferendas. O Buda dá a mesma resposta em todo o conteúdo: a definição brâmane de tevijja pelo nascimento e a definição nobre de tevijja pela realização dos três conhecimentos através do cultivo dos jhānas são coisas completamente diferentes, e o tevijja nobre é superior. Termina com o brâmane declarando-se discípulo leigo, como no sutta anterior.
- Page 214–220 O brâmane Saṅgārava: o sacrifício e a vida monástica, e os três prodígios O brâmane Saṅgārava pergunta o que gera mais mérito: um sacrifício realizado com a participação de muitos ou deixar o lar e praticar sozinho. O Buda mostra por meio de perguntas que, quando o Mestre ensina, milhares e centenas de milhares seguem a prática, e assim a vida monástica é um caminho de mérito que se estende muito mais. Quando Ānanda insiste perguntando qual é o melhor caminho, Saṅgārava várias vezes se esquiva sem responder diretamente. O Buda então muda de assunto e apresenta os três
- Page 221–222 Fim do Brāhmaṇavagga: o prodígio da leitura da mente Parte final do sutta que continua da seção anterior. O Buda explica ao brâmane a capacidade de conhecer a mente dos outros (o prodígio da leitura da mente): ele conhece os pensamentos de quem pratica a concentração e pode orientá-lo a abandonar os pensamentos que não devem ser pensados. O brâmane pergunta se há outros monges com esse prodígio, e ele responde que há muitos. O brâmane, com fé, declara tomar refúgio na Joia Tríplice. Encerra com um verso de resumo do Brāhmaṇavagga, capítulo 1, e ab
- Page 228 Titthāyatana-sutta: as três doutrinas de outras escolas e o ensinamento do Buda O Buda aponta três doutrinas sustentadas por ascetas de outras escolas: tudo é resultado de ações passadas (pubbekata-hetu), tudo é criação de um deus soberano (issaranimmāna-hetu), e tudo acontece sem causa nem condição (ahetu-appaccaya). Mostra que, se isso fosse verdade, toda má ação também teria de ser atribuída a essa causa, e não haveria desejo nem esforço para distinguir o que se deve e o que não se deve fazer; assim, essas doutrinas podem ser refutadas com justiça. Em seguida apresenta o
- Page 228–231 Perigos em que mãe e filho se separam e perigos em que não se separam O Buda apresenta três perigos que as pessoas comuns costumam chamar de “perigos que separam mãe e filho”: incêndio, inundação e bandidos que causam tumulto. Mas aponta que, mesmo quando mãe e filho ainda podem se reencontrar, há três perigos verdadeiros em que ninguém pode ajudar ninguém: a velhice, a doença e a morte, dos quais a mãe não pode pedir que o filho a livre no seu lugar. E aponta que o Nobre Caminho Óctuplo é o único caminho que conduz ao abandono de todos esses perigos.
- Page 231–237 Uccāsayanamahāsayana-sutta – Os leitos altos e largos, em Venāgapura O Buda, em viagem, chega à aldeia de Venāgapura. Os brâmanes chefes de família vêm vê-lo e louvam sua aparência. O brâmane Vacchagotta pergunta sobre os leitos altos e largos (uccāsayana-mahāsayana), que os ascetas não devem usar, mas o Buda diz que ele próprio obtém sem dificuldade três tipos de leito: o leito divino (entrar nos quatro jhānas andando, em pé, sentado ou deitado), o leito de Brahmā (irradiar bondade amorosa, compaixão, alegria altruísta e equanimidade) e o leito nobre (ter abando
- Page 237–241 Sarabha-sutta: o andarilho de falsas alegações Um andarilho chamado Sarabha deixa o Dhamma e disciplina e anuncia na assembleia do povo de Rājagaha que conheceu completamente o Dhamma do asceta filho dos Sakyas e por isso foi embora. Os monges relatam o fato ao Buda, que vai perguntar a Sarabha três vezes qual Dhamma ele conheceu. Sarabha fica em silêncio, incapaz de responder as três vezes. Depois que o Buda parte, os outros andarilhos zombam de Sarabha com a imagem do chacal que pretende soltar o rugido do leão, mas acaba soltando o uivo d
- Page 241–248 Kālāma-sutta (Kesaputtiya-sutta) – Aos Kālāmas Os Kālāmas da cidade de Kesaputta estão confusos porque os diversos ascetas e brâmanes que passaram por ali exaltavam apenas a própria doutrina e criticavam as outras, e perguntam ao Buda em quem devem acreditar. Ele dá o famoso ensinamento: não acreditar apenas por ter ouvido transmitido, por escrituras, pela lógica ou pela credibilidade do mestre, mas examinar por si mesmos se esse ensinamento conduz à cobiça, à aversão, à ilusão e ao dano; quando souberem claramente que algo é prejudicial e d
- Page 258 A diferença entre a paixão, a aversão e a ilusão O Buda ensina os monges a responder à pergunta de ascetas de outras escolas: a paixão tem pouca culpa, mas se desfaz lentamente; a aversão tem muita culpa, mas se desfaz rapidamente; e a ilusão tem muita culpa e se desfaz lentamente. Em seguida explica as causas e condições que fazem a paixão, a aversão e a ilusão surgirem ou crescerem — a atenção imprópria aos objetos atraentes ou aos que irritam — e as causas que fazem com que não surjam ou sejam abandonadas — a atenção sábia, incluindo o cult
- Page 258–263 Akusalamūla-sutta e Kusalamūla-sutta – As raízes do prejudicial e do salutar O Buda apresenta as três raízes do prejudicial — cobiça, aversão e ilusão —, que levam as pessoas a prejudicar os outros matando, aprisionando ou mentindo, e a serem chamadas de quem fala fora de hora, fala o falso e fala o que não traz benefício; ao contrário das três raízes do salutar — não cobiça, não aversão e não ilusão —, que tornam a pessoa alguém que fala a verdade e no momento certo. Compara: assim como uma árvore envolvida por trepadeiras morre, a pessoa com as raízes do prejudicial se
- Page 263–275 Uposatha-sutta: a discípula leiga Visākhā Visākhā, mãe de Migāra, visita o Buda num dia de uposatha. O Buda apresenta três tipos de uposatha: o uposatha dos vaqueiros (que só pensam em comer e em coisas sem proveito), o uposatha dos nigaṇṭhas (com uma bondade desigual e que levam a ensinar a mentira) e o nobre uposatha, que purifica a mente maculada pela recordação do Buda, do Dhamma, da Saṅgha, da própria virtude e das divindades, e pela observância dos oito preceitos durante aquele dia e noite à maneira dos arahants. A parte final do
- Page 276–277 Os versos finais do Uposatha-sutta e o fim do Mahāvagga, capítulo 2 Esta parte contém os versos finais do Uposatha-sutta (que começa antes deste arquivo), descrevendo os oito fatores do preceito do uposatha: não matar, não roubar, não mentir, não beber bebidas alcoólicas, praticar a castidade, não comer fora de hora, não usar flores, perfumes e adornos, e dormir em leito baixo. Em seguida compara que nem a luz da lua, a luz do sol, as estrelas ou todas as joias do mundo valem sequer um dezesseis avos do benefício de observar o uposatha completo nos oito fatores.
- Page 277–279 O andarilho Channa pergunta a Ānanda sobre o abandono da paixão, da aversão e da ilusão Início do Ānandavagga, capítulo 3. O andarilho Channa vai até Ānanda e pergunta se os budistas também ensinam o abandono da paixão, da aversão e da ilusão. Ānanda explica que quem é dominado pela paixão, pela aversão e pela ilusão pensa em afligir a si e aos outros, pratica má conduta no corpo, na fala e na mente, e não conhece de verdade o próprio bem e o bem dos outros; quando essas impurezas são abandonadas, ocorre o contrário. O caminho que leva ao abandono dessas três impurezas é o Caminho
- Page 280–282 Um chefe de família discípulo dos ājīvakas pergunta a Ānanda sobre o Dhamma bem proclamado Um chefe de família discípulo dos ājīvakas vai perguntar a Ānanda de quem é o Dhamma bem proclamado, quem pratica bem no mundo e quem chegou bem ao destino no mundo. Ānanda responde com perguntas até que o próprio chefe de família conclui que quem ensina o Dhamma para abandonar a paixão, a aversão e a ilusão, quem pratica para abandonar essas impurezas, e quem teve a paixão, a aversão e a ilusão arrancadas pela raiz, esses são os que proclamam bem o Dhamma, praticam bem e chegaram bem ao destino
- Page 282–283 Mahānāma, o Sakya, pergunta o que vem primeiro: a concentração ou o conhecimento Mahānāma, o Sakya, pergunta ao Bem-Aventurado, que acabara de se recuperar de uma doença, se a concentração vem antes do conhecimento ou o conhecimento antes da concentração. Ānanda, receando que a questão fosse profunda demais para o Buda recém-recuperado, leva Mahānāma à parte para conversar e explica a virtude, a concentração e a sabedoria do discípulo em treinamento (sekha) e do que já completou o treinamento (asekha), mostrando que o nobre discípulo perfeito em virtude, concentração e sabed
- Page 284–285 Abhaya, o Licchavi, pergunta sobre Nigaṇṭha Nātaputta e as três formas de desgaste Abhaya, o Licchavi, conta a Ānanda que Nigaṇṭha Nātaputta se declara onisciente, alguém que conhece e vê em todos os momentos, e ensina que a purificação vem de consumir as ações antigas pela ascese e de não fazer novas ações. Ānanda explica que o Buda ensinou três verdadeiras formas de desgaste (nijjarā): ser virtuoso, desenvolver os jhānas até o quarto jhāna, e não fazer novas ações enquanto se esgotam as ações antigas experimentando seus resultados por si mesmo. Paṇḍitakumāra, o Licchavi, apr
- Page 285–287 A confiança inabalável na Joia Tríplice O Bem-Aventurado ensina a Ānanda que, por compaixão, se deve incentivar amigos, colegas, parentes e familiares a se firmarem na confiança inabalável (aveccappasāda) no Buda, no Dhamma e na Saṅgha, citando os versos de louvor às qualidades de cada um. Ele afirma que é impossível que o nobre discípulo com tal confiança renasça no inferno, no reino animal ou no reino dos espíritos famintos — algo mais certo do que a possibilidade de os quatro elementos mudarem de natureza.
- Page 287–289 Ānanda pergunta o sentido de “existência” Ānanda pergunta duas vezes ao Bem-Aventurado o que é a “existência” (bhava). Ele explica com uma imagem: o kamma é como o campo, a consciência é como a semente, e o desejo é como a umidade que faz a consciência se firmar num elemento inferior (existência sensual), intermediário (existência de forma) ou sublime (existência sem forma), o que é causa de nova existência no futuro. As duas respostas têm conteúdo quase idêntico, diferindo apenas em pequenos detalhes.
- Page 289 Toda regra, observância e vida santa dá fruto? Ānanda pergunta se toda forma de regra, observância e vida santa dá o mesmo fruto. O Bem-Aventurado diz que nem sempre: depende de, ao praticá-la, crescerem os estados prejudiciais ou os estados salutares; se crescem os prejudiciais, é sem fruto; se crescem os salutares, é frutífera. Ānanda faz a distinção corretamente, o Mestre fica satisfeito e o louva como um discípulo em treinamento (sekha) cuja sabedoria dificilmente encontra igual.
- Page 290–291 O perfume que vai contra o vento Ānanda pergunta sobre três tipos de perfume (de raízes, de cerne e de flores) que só se espalham a favor do vento, e se há algum perfume que se espalhe tanto a favor quanto contra o vento. O Bem-Aventurado diz que sim: o perfume da boa reputação de quem tomou refúgio na Joia Tríplice, é virtuoso, de boas qualidades, com a mente livre de avareza e que se alegra em doar; ele é louvado por ascetas, brâmanes e divindades em todas as direções. Termina com um verso: o perfume dos bons vai contra o ven
- Page 291–294 Abhibhū, discípulo do Buda Sikhī, a voz do Tathāgata, e o fim do Ānandavagga Ānanda conta ter ouvido que Abhibhū, discípulo do Buda Sikhī, de pé no mundo de Brahmā, fazia sua voz ser ouvida em mil sistemas de mundos, e pergunta até onde o Bem-Aventurado pode fazê-lo. Ele explica a estrutura do universo em vários níveis (mil sistemas de mundos, dois mil, até o grande milhar de milhares) e diz que, se quiser, pode irradiar luz e fazer a voz ser ouvida no maior desses sistemas. Ānanda se alegra tanto com o poder do Buda que o Bem-Aventurado o adverte: tal alegria, se não es
- Page 294–295 Os deveres do asceta e a imagem do burro que segue o rebanho Início do Samaṇavagga, capítulo 4. O Bem-Aventurado diz que o asceta tem três deveres: empenhar-se no treinamento na virtude superior, na mente superior e na sabedoria superior. Em seguida usa a imagem do burro que segue o rebanho de bois gritando “eu também sou boi”, mas não tem a aparência, a voz nem as pegadas de um boi de verdade; assim é o monge que segue a comunidade, mas não tem, como os outros monges, verdadeiro empenho no triplo treinamento.
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